Notícias do bucho #4


Nunca mais dei notícia do meu pequeno filhote, que aliás, parece que não será tão pequeno assim.

Nanda nasceu pequenininha, era uma barriguinha tímida que me causava alguns inchaços no fim do dia, mas nada demais.

Já Daniel chegou chegando, se mostrando em uma barriga gigante, que não para de pular, chutar, e escolhe até a posição da mamãe dormir – é sério, ele protesta até que eu me vire para o lado esquerdo, só então sossega e me deixa descansar um pouco. Pode isso, Arnaldo?

Agora que falta praticamente um mês pra ele chegar, fica aquela sensação de que está tudo pronto: berço comprado, bolsa da maternidade arrumada, roupinhas e fraldas lavadas e passadas, masssss…. Sempre sabendo que a chegada de uma criança é um acontecimento tão intenso, tão maior, que por mais programação e organização que exista, a gente VAI passar por imprevistos, adaptações, e talvez esta seja uma das maiores lições de se ter filhos: nós nunca estamos com tudo sob controle. Filhos nos fazem ver o quanto precisamos aprender o tempo todo, reavaliar, repensar, mudar de estratégia, crescer. Enquanto eles crescem por fora, a gente cresce por dentro. Enquanto eles perdem os sapatos, a gente acha que vai perder a cabeça, mas a verdade é que os filhos nos colocam cara a cara com a vida. Eles praticamente nos obrigam a isso. Agora, por exemplo, estou sendo obrigada a lidar com minhas próprias limitações físicas. Às vezes me impaciento com tanta lentidão, um cansaço exagerado que faz a tarefa mais simples ficar tão longa e enfadonha. A escada que preciso subir várias vezes por dia parece cada dia maior, e quando chego lá em cima tenho o mesmo fôlego de alguém que acabou de completar a São Silvestre. E mais uma vez tô eu aqui aprendendo com o filhote a ser mais forte, seja na capacidade de dar conta das tarefas diárias com esse barrigão, seja na força silenciosa da paciência, essa amiga que às vezes me abandona, mas graças a Deus sempre acaba voltando. Eu não disse que filho ensina a gente o tempo todo? Lições que a gente não encontra nos livros, nem aprende dentro da nossa redoma umbiguista. Aquela nuvem confortável e egoísta com a qual a gente se blindou a vida inteira e que nos dá a falsa impressão de que sabemos tudo sobre tudo. Tadinhos de nós, éramos tão cheios de certezas né? Aí chega uma bolinha de uns poucos quilos no colo e de repente você entende… A vida tá só começando. E fora da redoma ela é muito mais linda, mais real, mais ~danada de boa~ 

Sem glamour, é verdade. Mas pra que serve o glamour afinal, né? Pés no chão, inchados ou não, me parecem bem mais interessantes.

É, filho… Enquanto você não nasce, a gente fica aqui se preparando pra nova vida que você está nos trazendo. Não, eu não sei como vai ser, só sei que vai ser especial, emocionante, cansativo, mas muito muito muito lindo. Seremos quatro aprendendo. Tenha paciência com a mamãe, e tudo vai dar certo, viu!

P.S.: Esta foto foi tirada em novembro, e não, eu não consigo ver meus pés há muito tempo já, kkkk