Paçoca de colher


Me lembro muito bem quando saía da universidade correndo pra parada de ônibus pra não chegar atrasada no trabalho, e tudo que eu tinha tempo de fazer no percurso entre a sala de aula e o busão era pegar umas paçoquinhas no tiozinho, que cobrava R$ 0,60/unidade, um preço muito acessível ao meu nível de liserê, que me permitia comprar umas quatro pra ir tapeando a fome. Que aliás, era sempre grande e muita. Dizem que o tempero da comida é a fome. Se é verdade eu não sei, mas que eu tinha verdadeira paixão por aquelas paçocas, eu tinha.

O tempo passou, a vida mudou, e eu nunca mais cruzei com as paçoquinhas. Dia desses vi uma receita de paçoca de colher numa caixinha de creme de leite. A receita era fácil e simples, mas fiz e não gostei. O problema foi ter lido aquele nome. Eu pensava nele. Eu sonhava com ele. Eu imaginava o sabor. Eu tinha que comer paçoca de colher de qualquer jeito.

Desci o prédio e fui no tiozinho (outro tiozinho) da esquina, comprei dois pacotinhos de amendoim descascado e salgadinho. Bati no liquidificador com uma lata de leite condensado e provei. “COMO ASSIM?”, “Só dois ingredientes?”, “Ficou perfeito!”… eu pensava enquanto comia uma colher atrás da outra. Pra melhorar ainda mais, coloquei na geladeira. O que estava maravilhoso, ficou muito mais melhor de bom ainda.

Desculpa, gente, essa era pra ser uma receita pseudo-junina, mas minha memória afetiva não deixou.

Pra mim ela vai ser uma receita pra comer o ano todo, e recomendo que pra vocês também =)