Pelo direito de comer risoto


Houve um tempo em que eu pensava que risoto era um arroz velho que tava ali na geladeira, e você misturava com outra coisa que também estava ali na geladeira, mais uns temperinhos e pronto. Detalhe: quanto mais soltinho ficasse, melhor.

Depois aprendi que o risoto de verdade é molhadinho, úmido e cozido lentamente em um caldo de preferência  feito na hora. Mas aprendi também que existe um arroz próprio pra preparo de risotos, o arbório. E essa lição foi difícil de engolir, principalmente quando vi o preço do tal ingrediente. Pense…

Mas que me desculpem os chefs, gastrônomos, pessoas capitalizadas desse meu Brasil: eu é que não vou deixar de comer risoto. Dia desses falando justamente sobre isso com a Cami me dei conta que nem tinha receita de risoto aqui no blog. Mas importante: essa é a minha forma de adaptar o risoto para o preparo com arroz comum (que não é o parboilizado tá). Eu gosto, o marido também, então tá tudo resolvido. Nesse dia usei um shitaki seco, mas você pode escolher os ingredientes que quiser. Preparando o caldo e sabendo mais ou menos a sequência dos ingredientes, pode se arriscar sem medo!

  1. Primeiro você vai preparar um caldo de legumes: coloque uma panela com uns 2 litros de água no fogo e junte 1 cenoura inteira (bem lavadinha), uma cebola piquée, meia cabeça de alho (cortada ao meio com casca e tudo) e um talo de alho poró (se não tiver o alho poró, não tem problema). Deixe levantar fervura, abaixe o fogo tampe a panela e deixe lá por uns 30 minutinhos, só apurando
  2. Enquanto isso você separa os ingredientes que vai usar no seu risoto. Eu usei 2 xícaras de arroz (sem lavar!), 1 xícara de shitaki seco (que hidratei em água quente por 30 minutos), palmito e as folhas do alho poró picadinhas. Resolvi que ia usar alho e cebola refogadinhos e também açafrão pra dar uma cor bonita. Ah e parmesão ralado, quanto mais melhor. Agora que você tem tudo em mãos, vamos ao risoto
  3. Refogue o alho e a cebola no óleo/azeite e junte o arroz, dê uma refogadinha leve (não é pra “fritar” o arroz) e se tiver, jogue uma cachacinha nessa hora (geralmente se usa vinho branco, mas eu uso qualquer bebida que tiver na hora). Nada demais, 1/4 de xícara. Continue mexendo até evaporar e então começa a brincadeira: coloque uma concha do caldo (que tem que permanecer aquecido), um pouco de sal e uma colher de chá de açafrão, misture bem
  4. A partir daí você vai colocar uma concha de caldo, dar uma mexida, fazer alguma outra coisa, volta pra dar uma olhada: secou? Coloca mais caldo e assim por diante, até que o arroz esteja al dente. 
  5. Nesse ponto junte os ingredientes que você escolheu para o seu risoto, deixe que eles se misturem e troquem sabores, acerte o sal
  6. Verifique o ponto do arroz, se estiver cozido apague o fogo e finalize com o parmesão ralado (na hora, de preferência) e um fio gigante de azeite

Essa foto não tá muito bonita não, mas coloquei pra vocês verem a cremosidade dele…

Importante:

  • Acabou o caldo e o arroz ainda não cozinhou? Calma: pode colocar mais água na panela do caldo e aumentar o fogo que ele vai render. 
  • Não tem açafrão? Não precisa colocar. 
  • O arroz não pode ser lavado, pois é isso que garante a cremosidade do risoto, ok? 
  • Outra coisa: eu deixo pra colocar o alho poró no final pra que ele não perca o verdinho bonito, se ele fica muito tempo na panela ele fica meio xoxo, não gosto. Se você não acha alho poró fácil, finaliza com salsa, ou cebolinha, fica ótimo também. 
  • Tá valendo usar frango desfiado, presunto, resto do peru da ceia, do tender (tá longe né?), nunca esquecendo do nosso lema: “reaproveitar sempre!”

Aguardem que em breve vou postar uma dica pra você pré-preparar o seu risoto pra poder serví-lo em um jantar pra muitas pessoas, e sem stress. Fique de olho.