Dia das crianças e algumas coisas


Quem estudou pedagogia certamente já leu a famosa frase de Paulo Freire: “educar é um ato político“.

Eu diria que ser mãe é um ato político. Não falo da política partidária, claro, mas do significado que nossas atitudes e escolhas assumem diante da vida, do mundo, de nós mesmos e dos nossos filhos, netos e etc.

Eu tô achando ótimo que amanhã é dia das crianças não pela data comemorativa, mas por causa do feriado. Por que meu marido não vai trabalhar e nós vamos pegar nossa pequena e vamos para uma praça correr, pisar na grama, se sujar, sentir cheiro de verde e depois estender uma toalha no chão e comer uma comidinha feita com todo amor. Porque eu acredito que esse é o melhor presente que minha filha pode ter, e que ela não precisa de data especial pra ganhar.

Por não trabalhar fora e ficar 24h por dia cuidando da pequena, cada dia mais entendo uma coisa: ela não precisa de mais nada além de amor. Comida, roupa, teto também são necessidades. Mas ela não liga se a roupa que está usando é a mais cara, nem se o sapato é da moda. Nem se a casa que ela mora é a mais bonita da vizinhança. A única coisa que minha filha requisita, o dia inteiro, é a minha companhia, o meu amor. Amor que acolhe e que disciplina também, mas é amor que ela quer.

Por isso hoje eu estou aqui, rodeada de brinquedos, separando os que ela realmente brinca e curte dos que ela brincou um, dois dias e depois deixou de lado. Esses vão virar presentes para outras crianças, que muitas vezes não tem sequer um teto, sequer uma refeição digna pra fazer em dias. E de tantos brinquedos que ela tem, conto nos dedos de uma mão os que nós compramos pra ela, os outros todos foram presentes (sabe como é avó, né, adianta explicar que ela já tem brinquedo demais?). Sabe porque? Porque uma criança se diverte muito mais com lápis e papel do que com um computador de brinquedo. Caixas de sapato, palitos de picolé, pedaços de madeira em um dia podem ser um castelo, no outro dia viram uma televisão, e por aí vai. Tem como cansar de um “brinquedo” desse? E ouvir uma história então?

Se eu fosse você, amanhã pegava sua cria e ia embora pra rua, ver a vida, ficar junto. E não tem desculpa que não tem parques na minha cidade: um grupo de vizinhos em São Paulo fez uma coisa genial. Todos os meses se reúnem em um lugar público, perto da casa de um deles (se precisar de banheiro, tem pra onde correr), não necessariamente parques, mas praças também. Cada um leva um prato e os filhos deles ficam lá, brincando juntos, enquanto eles batem papo, lêem, descansam sob a sombra de uma árvore. Por ter tanta prática, eles tem zilhões de dicas do que levar, como levar e etc, e por isso criaram um blog: Piquenique perto de casa. Recomendo muito a leitura.

Mas é calaro que eu vou contar pra vocês o que vou levar na minha cestinha (que na verdade é o carrinho da feira, já que tem rodinha, posso levar o que quiser sem preocupação com peso – quem anda de ônibus tem que se preocupar com essas coisas, né). Mas essas são cenas para os próximos capítulos…

Aguardem =)